quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Texto no teto


Apenas um texto no teto.
Desses que você esquece que está ali.
Se acostuma a vê-lo sempre no mesmo lugar que já não consegue reparar o que havia nele.
Era uma recordação de um amor que se passou?
Era uma mágoa profunda, machucado leve ou uma lágrima?
Depois de tanto tempo com ele ali, ficou difícil ter a coragem para cutucá-lo.
Como o baú de fotografias empoeirado com aquelas lembranças tão antigas da infância que ataca a alergia.
Vamos lá! Espirrá-lo de uma vez não pode ser tão mal, nem tão ilegal, ou imoral.

Peraí! Pra onde ele foi? Como era mesmo... tinha aquele começo que dizia umas coisas confusas... e tinha aquela frase de efeito no final... Começava mais ou menos assim: “Apenas um texto no teto...”

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O desencontro do cravo e da rosa



I
O botão de rosa...

Era uma vez um botão de rosa.
Que como tantos outros era belo,
Mas este, era diferente, especial.

Seu perfume era irresistível, arrebatador.
Bastava sentir uma vez, para jamais o esquecer.
Suas pétalas eram ainda mais coloridas,
Cada um de seus belos talentos, a todos encantava e atraía.
Seu coração era forte, mas ao mesmo tempo bondoso.
Tratava a todos com respeito, mas sem faltar com a siceridade.

Até que sua fragrância alcançou outras flores e jardins,
Que queriam estar perto desta, que era chamada incomparável.
Mas, a alguém encantou ainda mais...

II 
O cravo solitário

Havia um cravo em um jardim tão distante.
Só se preocupava em crescer, desenvolver.
Mas, vivia em um canto muito solitário.

Seus sonhos eram grandes, mas sozinho não os alcançava.
Possuía um coração bom, que o impulsionava,
Conhecia muitas flores, mas, nenhuma lhe chamava a atenção.
Pareciam as mesmas, tão entediantes e iguais,
Não encontrava perfumes que se comparavam ao seu,
Nem cores que lhe tocavam, ou se faziam notar.

Até que um dia, sentiu um perfume especial, uma cor nunca vista.
Ao lado desta flor ele queria estar, mesmo que fosse por instantes.
E por ela, ele se encantou e ali se jogou...

III 
O desencontro

Tudo começou ao acaso, era uma tarde como tantas outras.
Estavam em um mesmo jardim, e sem perceber se encontraram.
Se esbarraram sutilmente, se conheceram.

O Cravo se aproximou, e se jogou.
Aquele encontro o fez rodar, jamais havia se encantado tanto por uma flor.
A Rosa até gostou, era bom ter alguém como ele por perto.
O encontro a fez repensar muitas coisas, e pensar em tantas outras.

Ele se encantou tanto por ela, que a quis apenas para si.
Tentou segurá-la, prendê-la. Mas, não era assim que havia de ser.
Ela se assustou, disse que não era o momento em si.
Pediu espaço para a luz, o ar, o céu. Não era assim que devia ser.

O espaço maltratou a ambos e de alguma forma perto queriam ficar.
Decidiram se ver de vez em quando, compartilhar o sol, olhar a lua.
O Cravo queria mais, mas sabia que era assim que haveria de ser.

A Rosa não queria pensar nisso e assim acabou sendo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sofrer por antecipação

O que fazer quando não se sabe o que fazer
Para evitar o possível sofrer, que ao certo pode ser que acontecerá?

Lutar, pelo que se quer e ver que ainda há tempo
Para mudar o que se quis esquecer, mas o coração diz que não.

Correndo pelo vento, atirando o horizonte, nadando nas paredes,
Escalar contra a maré quando o dia vai raiando e a agonia começando.

É tanto que se passa na cabeça nessas horas e eu só queria ir embora
Pra tentar ver o que vai dar, diante do que vai se passar.


Essa hora que não chega e o medo que se apossa, como se nem tudo fosse acontecer